Homens

As feridas doem, mas quando são as mesmas que voltam a abrir, elas viram cicatrizes eternas

15:23



Desde o meu aniversário desse ano que não posto nada. De fato, não conseguia me abrir com tudo que estava acontecendo. E a cura que era escrever, acabou virando meu pior tormento, pensar em abrir tudo que estava no fundo do meu coração.
Na minha gravidez, não é segredo pra ninguém, sofri muito. Alguns podem julgar como bobagem, coisa de menina mimada, mas esse momento é muito particular para cada mulher e todo problema se intensifica de forma que acaba doendo mais que normalmente machucaria.
Eu vivi uma vida de casada, assumi uma família, mesmo deixando de lado os sonhos que tinha, os projetos, eu estava me formulando uma nova mulher, porém não recebia o mesmo do meu namorado (marido?).
Na fase que fiquei internada 1 mês no hospital (A pior e primeira de muitas que viriam), via uma colega de quarto recebendo visitas diárias do seu companheiro, que ia todos os dias vê la de bicicleta, saia da obra que trabalhava e todos os dias estava lá com um sorriso e um abraço aconchegante. Ele não, ele ia trabalhar as 13h, não podia se atrasar, não podia comer lá comigo no hospital, não tinha tempo, achava desnecessário.
No mais puro ato de desespero, ao monitorar o computador doméstico via no que ele perdia seu precioso tempo, ficava na internet, acessava sites adultos, olhava seus e-mails e ia trabalhar, além de pedir para sair para um churrasco na casa dos amigos no final de semana, pois estava precisando, segundo ele. Foi a primeira vez que me afastei de todos para sofrer sozinha, fiquei lá, todos aqueles dias chorando escondida a noite e torcendo para que aquele mártir, logo cessasse.
Eu sempre dizia que ele e até eu precisávamos ir em um terapeuta de casal. Achava até que o problema era só minha maneira de ver as coisas, mas ele nunca aceitou ir em um profissional.
No hospital em que ele trabalhava seus colegas se reuniam muito para beber, ele sempre queria ir e sempre havia motivos para que eu não fosse, depois que tive o Gabriel, o motivo era que eu ficasse cuidando dele.
Um dia ele chegou 4h da manhã muito bêbado em casa e eu com o coração na mão achando que ele tinha morrido, aceitei uma das muitas mentiras que estava começando a ouvir e absorver para preservar uma relação em que eu prezava muito.
Nossas brigas começavam a se tornar constantes, eu não estava mais aguentando ficar em casa, ele estava querendo sair sempre sozinho, eu não arrumava a casa de tão depressiva que estava ficando.
Ao pegar um dia o celular dele percebi a forma que ele tratava suas amigas, sempre como linda, maravilhosa, queria, e eu, a idiota, a ridícula, a imprestável. Não demorou muito para que eu pegasse o contato de uma amante em que ele havia falado que eu era apenas uma namorada que havia engravidado, nada sério. Reuni a familia toda, contei o ocorrido, em pedaços, mas a torcida e vontade dele naquele momento era ficar. E ficamos.
Sai antes do tempo para retornar ao trabalho, eu já não aguentava mais aquela vida de dona de casa. E ele sempre mentindo e omitindo coisas muito insignificantes.
Não havia carinho, a cada briga ele falava coisas absurdas, se havia gentileza era com interesse, não havia prazer em ficar perto um do outro. Resolvi, depois de 3 anos, enfim, sair de casa.
Ele me ajudou a comprar as coisas, pagou a babá para receber o Gabriel na minha casa e menos de 1 mês depois ele leva uma menina qualquer para dentro da casa em que era nossa, na cama que nós dormíamos. Eu e ele estávamos em clima mais pacífico, não estávamos saindo nem tendo nada, mas eu brincava dizendo que para ele "pegar" alguma menina tinha que dizer que ia namorar. Pois, ele me avisa que estava com alguém e que queria almoçar com o Gabriel e a menina, logicamente eu não autorizei e disse que ele não podia permitir contato do filho com qualquer uma que ele iludisse, pois era ela que estava com o celular nas mãos, e manda um audio dizendo que estavam namorando e me chamando de palavras impublicáveis.
Meu coração havia sido partido mais uma vez, pela falta de respeito. E quem disser que houve interesse da parte dele em me defender, mentiu. A todo momento ele incentivava a menina a ter a razão e me deixou desconsolada por semanas sem chão.
Ouvi desculpas dele, as desculpas mais automáticas que já vi, apenas para amenizar a situação que se instalava com a minha solicitação de advogado na separação e guarda do Gabriel.
Mais uma vez eu perdoei e até me apaixonei novamente, mas quando senti sua aproximação de repente e o beijei, algo dentro de mim se ascendeu e a boba caiu na história que tudo estava voltando a ficar bem.
Acabei com todas as esperanças que alguém poderia ter comigo, desconstruí aquela imagem de mulher bem resolvida e independente, passei a encontrá lo de vez em quando em sua casa nova, onde havia uma cama nova, onde me cheirava uma vida nova e eu já estava trabalhando em um lugar novo.
Em uma noite dormi lá, na outra o convidei para beber na minha casa. Foi o erro. Uma outra menina que ele comentava que era apenas ficante, que não queria nada sério, que ele só queria "comer" mas que não era nada igual comigo, ele me revela que levou na casa dele na verdade, na cama que eu deitei. E eu havia perguntado se isso havia acontecido, mas a resposta foi uma negativa e a afirmação que ela não passava de uma qualquer.
Eu estava enganada o tempo todo, o odio da indiferença me consumiu e mandei ele embora, mas a dor ficou. O Sorriso dele por se achar tão esperto de enganar duas era o que matava. Senti pena até da menina, pobre menina, estava caindo na mesma armadilha que eu caira a anos atras. Mas ele não mudaria jamais, nem um filho mudou seu modo de agir.
Ao mandar uma mensagem chorando avisando que ele pagaria por estar me fazendo sofrer assim recebo a resposta de que ele estaria satisfeito e que era eu que ia pagar por ter largado ele.
Infelizmente a vingança pode ser ruim, mas não agi por vingança, e sim, por raiva dele estar enganando pessoas e brincando como se fossem peças de seu tabuleiro.
Era visto, já que os fatos que ele contava que ocorriam, na época que morávamos juntos, a sua mãe, eram totalmente desconstruídos da realidade. Por isso, preferia me afastar quando passava por isso, pois sou muito verdadeira e sempre desabafava meus problemas.
Enfim, entrei em contato com a moça, contei os fatos, ninguém merece ser enganada e ficar com uma pessoa que usa máscaras para conseguir o que quer. Ela, que inclusive, trabalhava no mesmo hospital que ele, no mesmo setor e da mesma profissão, logicamente terminou.
A ira dele foi instantânea e tenho certeza que não fui agredida dentro da minha própria casa pq meus vizinhos estavam perto e de olho.
Quem estava rindo agora? Quem estava chorando? Quem foi machucado afinal? Ninguém sabe, afinal, a situação estava bagunçada e só eu não havia percebido.
Ele me pedia para pedir desculpas (oi?) para a menina. Espere um pouco, ela merece desculpas por eu ter feito um favor a vida dela? E aquela vez que a sua namoradinha (outra?) me falou atrocidades? Eu não recebi nem considerações suas em respeito a mais de 4 anos juntos.
Não me pergunte como, afinal, a raiva era tanta, apaguei seu e-mail e facebook.
E no final da tarde de segunda (hoje) recebi a ligação do advogado querendo intermediar e formalizar a separação, as lagrimas correram, mas passa.
Até propus, como sempre, que fossemos os dois em um psicólogo ou psicanalista tentar amenizar e tentar, de alguma forma, resolver isso sem nos ferirmos, como sempre, mas ele disse que estava com muita raiva, ódio. E conheço bem o gosto dos dois e ele é amargo, machuca.
E o final da história nem eu mesmo sei, pq a dor é tão profunda que anestesia a alma.

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1 comentários

"Muitas pessoas perdem
as pequenas alegrias enquanto
aguardam a grande felicidade."

(Pearl S. Buck)

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